Eles deviam ser um casal bonito, Marcel, chamado de “Rudolph Valentino da alta costura” por sua aparência atraente, e a pequena bailarina Hélène. E durante a Segunda Guerra Mundial não havia tempo a perder: Marcel, 25 anos mais velho, casou-se com sua noiva de 17 anos e encomendou uma fragrância como presente de casamento. Ele chamou o perfume de “Femme” e ele ficou na história como o primeiro perfume com uma nota de ameixa.
A vida de Marcel Rochas começou de forma muito modesta, afinal ele era um advogado formado. No entanto, ele não conseguiu encontrar um vestido que gostasse para sua primeira noiva, então decidiu tomar as rédeas da situação e abriu sua primeira loja de moda em Paris em 1925, com apenas 23 anos.
Seu estilo pessoal era, por um lado, simples, com cortes confortáveis que gozavam de grande popularidade entre as jovens ativas e, por outro lado, ele dava grande importância à elegância feminina, como se pode ver em seus espartilhos com cintura de vespa e vestidos sereia.
Essa moda fez sucesso. Marcel Rochas rapidamente se tornou um queridinho do cenário da moda parisiense e logo pôde contar com várias estrelas da indústria cinematográfica, como Carole Lombard e Marlene Dietrich, entre suas clientes.
Marcel Rochas começou a trabalhar com perfumes em 1936, lançando três fragrâncias naquele ano, e seu sucesso o levou imediatamente a investir em um grande laboratório, sabendo que, a longo prazo, seria mais lucrativo vender perfumes do que roupas. Depois de obter mais sucessos de vendas com o já mencionado “Femme” e a linha de fragrâncias masculinas “Moustache”, Marcel Rochas tirou suas conclusões e fechou sua grife em 1953 para se dedicar completamente ao desenvolvimento de fragrâncias. No entanto, seu trabalho não durou muito: apenas dois anos depois, Marcel Rochas morreu de hemorragia cerebral aos 53 anos.
Com apenas 28 anos, Hélène ficou viúva, mãe solteira de dois filhos adolescentes e herdeira da empresa do marido. Mas ela não se deixou abater, manteve as rédeas nas mãos e, em poucos anos, conseguiu aumentar em dez vezes o faturamento da empresa, tornando-se assim a primeira mulher na França a chefiar uma grande empresa.
Hèlène parecia conseguir equilibrar de forma divertida o seu papel de mulher de negócios bem-sucedida, sob cuja liderança foram lançados outros perfumes de sucesso, como “Madame Rochas” e “Eau de Rochas”, e o de dama da sociedade, admirada pela sua beleza e elegância infalível, que se movia com facilidade no jet set internacional.
Mesmo quando a empresa passou para outras mãos — para a Roussel-Uclaf na década de 70, para a Wella AG na década de 80 e mais tarde para a Procter & Gamble — ela continuou a trabalhar como consultora na “Rochas”. Apenas alguns anos antes de sua morte em 2011, Hélène Rochas retirou-se da vida pública.
Há alguns anos, a alta costura voltou a ser produzida sob o nome “Rochas”. E se, no início, foi a moda de Marcel Rochas que o ajudou a vender seus perfumes, desta vez é a boa reputação desses mesmos perfumes que dá aos clientes de hoje um gostinho da alta costura de alta qualidade da “Rochas”.
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